Livro ainda sem nome

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    jessicamaq
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    Livro ainda sem nome

    Mensagem por jessicamaq em Sab Jan 23, 2010 12:21 pm

    Aqui vou colocar o primeiro capítulo do livro que estou escrevendo e gostaria de saber a opinião de cada um.
    Spoiler:

    Capítulo 1
    Sentado com uma das mãos sobre o braço de
    seu trono, enquanto a outra repousava sob o queixo, Elhand parecia imponente
    perante seus súditos. Sempre com a longa capa vermelha presa à sobrecota negra.
    Mas para o conselheiro e amigo, Herkan, estava imerso em tédio. Todos os dias,
    Elhand promovia uma audiência para os moradores de Ierutar, a capital do reino
    que ele governava. Todos os dias, havia uma quantidade imensurável de pessoas à
    entrada de seu castelo, esperançosas de que o governante pudesse ajudar com a
    fome que assolava a maioria das províncias.

    - Herkan, ouviu o que este aldeão disse –
    ele falou enquanto olhava para o amigo com os olhos vazios. – Faça com que ele
    e sua família sejam agraciados com duas sacas de cevada – agitou uma das mãos
    no ar para que o camponês pudesse se retirar.

    - Muito obrigado, meu senhor – disse o
    homem, emocionado.

    Isso já tinha virado rotina. Um fazendeiro
    entrava, lhe pedia comida e, na maioria das vezes, apenas prometia ao invés de
    cumprir. No início de seu reinado, Elhand se importava com seus súditos,
    trabalhava para fornecer alimentos e lutava nas guerras infindáveis para que
    pudesse proteger a todos. Com o passar do tempo e a chegada da paz entre os clãs
    de Amagar, os fazendeiros mal trabalhavam para se sustentarem e tudo o que
    faziam era mendigar. A cada dia, a situação foi se tornando cansativa ao ponto
    de ele parar de se importar. Sabia que apenas o simples fato de prometer, já os
    acalmaria.

    - Muito bem – disse ele enquanto punha-se
    de pé diante de um garotinho. – Já chega por hoje.

    - Mas majestade, com todo o respeito, viajei
    de muito longe só para ter esta audiência com o senhor-

    - Eu disse que já chega! – vociferou,
    interrompendo-o. – Uma reles criatura como você, não deveria me contestar.

    Os músculos da face de Elhand se
    contorceram em uma expressão severa, fazendo com que a criança desviasse o
    olhar enquanto um calafrio lhe percorria a espinha.

    - Meu caro – disse finalmente Herkan,
    sempre com sua voz grave. – Acho que você deveria ouví-lo. Para ele é caso de
    vida ou morte e para você, de nada custa.

    - Ah, cale essa boca Herkan! – gritou e
    depois se voltou para os guardas. – Levem-no daqui!

    Sem reagir, o menino deixou que o
    conduzissem até a saída. Lá fora, um senhor com uma longa barba branca
    atingindo a cintura lhe esperava em uma carroça. O velho segurou o grande
    chapéu de palha com os dedos magros e o ergueu acima dos olhos cansados e
    lacrimosos, quando perguntou:

    - E então?
    O pequeno camponês se dirigiu para a
    carroça sem dizer uma palavra, apenas pisando com força no solo, deixando
    transparecer sua raiva e insatisfação. Subiu no meio de transporte arcaico e
    apertou as rédeas com tanta força, que as pontas dos dedos ficaram brancas.

    - Aquele miserável nem mesmo me ouviu – disse
    ele com os dentes semi-cerrados. – Maldição! Por que tivemos que recorrer a
    ele?!

    - Porque, infelizmente, não podemos contar
    com mais ninguém – o idoso deixou que um longo suspiro escapasse. Ajeitou o
    chapéu, de modo que cobrisse seus olhos cansados novamente. – Vamos, meu jovem.
    Temos um longo caminho a percorrer e uma péssima notícia para dar – ele deu um
    tapinha no joelho do garoto, que agitou as rédeas para os animais darem início
    a viajem.

    Elhand deixou que a longa capa esvoaçasse,
    no instante em que girou o corpo e caminhou para longe de seu trono. Ouviu
    novas passadas, somarem-se às suas e ecoarem pelo corredor. Herkan já era velho
    e não podia se locomover com facilidade, mas fazia um ótimo trabalho em
    conseguir acompanhá-lo quando estava irritado.

    - Por que continua fazendo isso, Elhand? –
    indagou o idoso com a voz embargada. – Por que insiste em
    menosprezar os outros?Você nunca foi assim!

    - O tempo me tornou assim! – gritou o rei,
    parando de caminhar bruscamente. – Você é meu amigo, viveu comigo boa parte de
    minha vida, mas ainda assim, não sabe nada sobre ela – ele deu as costas e
    tornou a caminhar.

    - Está enganado – Herkan fez uma força para
    acompanhar os passos apressados do companheiro pelo longo corredor. – Eu sei
    muito mais do que você mesmo. Olhe para si, Elhand. Está se tornando amargo e
    solitário.

    Herkan estava ofegante. Não tinha mais
    disposição para forçar passadas como aquelas, exauria-se com facilidade.
    Inspirou com calma, na esperança de normalizar a respiração, enquanto observava
    o rei desaparecer ao final do corredor. Alguma coisa deveria ser feita ou
    Sva’lad cairia em desgraça com a apatia de seu governante. Ele já sabia o que
    fazer. Seu plano entraria em ação com a chegada da próxima lua cheia, quando
    Herkan, Elhand e um pequeno grupo de soldados fariam a tradicional caçada ao Escárgön.

    Um frio súbito de raiva brotou no estômago
    do rei amargurado. O amigo bruxo o acompanhara em grandes momentos de sua vida,
    mas não havia testemunhado os horrores da guerra nas mesmas proporções que ele.
    Lembranças negativas como o assassinato de seus pais, quando ele era jovem,
    ainda estavam frescas em sua memória. Daquele dia em diante, Elhand fora
    forçado a amadurecer, perdeu grande parte da juventude lutando para proteger
    seu reino, seu povo. Viu mais cadáveres em alguns anos do que um ancião pensara
    encontrar em toda sua vida. Ele parou de caminhar, silenciando assim, os ecos
    no corredor estreito. O rei apoiou a mão na parede de pedra e deixou que uma
    fraqueza se apoderasse dele. Apertou os olhos quando as lembranças começaram a
    ganhar força.

    - Está tudo bem papai? – a voz fina interrompeu
    sua meditação.

    Elhand abriu os olhos e estes se
    encontraram com o olhar ingênuo de Targur, seu pequeno e único filho.

    - Nunca estive melhor – disse Elhand
    recobrando as forças enquanto afastava o garoto de si com agressividade e
    caminhava para longe, deixando-o sozinho.

    Targur encostou na parede e deixou o
    corpinho fraquejar, até cair sentado no chão. Os olhos começando a arder
    enquanto as lágrimas brotavam. Ficou daquele jeito por algum tempo, até ouvir
    uma voz suave e familiar atrás de si, dizer:

    - O que houve, meu filho?
    O garotinho se virou e lá estava sua mãe,
    linda como sempre. Usava um vestido de cetim verde, que realçava seus olhos, e
    bordado com fios de ouro. Aproximou-se dele com a graciosidade de um pavão e
    lhe enxugou as lágrimas com a delicadeza de uma pluma. Ver o filho daquele
    jeito lhe cortava o coração, não havia nada mais importante para ela do que
    aquela criança.

    - Por que choras meu pequenino?
    - É o papai, minha mãe – disse ele com a
    voz trêmula, tentando conter os soluços. – Não sei o que mais posso fazer para
    ter o amor dele.

    A mulher se juntou a ele no chão e o tomou
    nos braços. Ali, ele se sentia seguro, era ali o seu refúgio. Cada vez que a
    mãe o envolvia em um abraço caloroso, sentia-se mais disposto. Era como se tudo
    ao seu redor silenciasse, trazendo uma imensa paz interior. Os soluços no choro
    do garoto desapareceram e sua respiração normalizou.

    - Seu pai, é um homem perturbado pela feiura
    da vida, Targur. Ele não sabe como guardar toda essa energia negativa para ele
    e acaba descontando nos outros – ela deslizou a mão pelos fios negros e
    encaracolados do filho. – Não deverias se preocupar com isso. Afinal, a culpa
    não é sua. Com o tempo, seu pai irá melhorar – disse ela, tentando não deixar
    transparecer a raiva que estava sentindo naquele momento. – Agora, por que não
    enxuga essas lágrimas e vai brincar por aí?

    - Eu não sei...
    - Já sei o que fazer para animá-lo – a
    mulher o soltou, de modo que seus olhos encontrassem os dele. – Eu o estava
    procurando para dizer que Felipa deu cria esta manhã.

    - Um potrinho?!
    - Sim, um lindo potrinho – disse ela
    equanto ensaiava um sorriso. – Vá até lá dar uma olhada, ele é magnífico.

    Targur levantou de um salto quase como se
    tivesse esquecido de toda aquela tristeza. Ele enxugou as lágrimas, que ainda
    escorriam pelo rosto, com as costas dos braços e começou a correr pelo
    corredor, se afastando. Irritada, a mulher se pôs a caminhar, até encontrar uma
    porta, por onde entrou.

    - O que pensa que está fazendo?
    Elhand deu um pulo da cama com a gritaria
    da mulher.

    - O que VOCÊ pensa que está fazendo Zatana?
    Entrar no quarto dessa maneira quando eu estava prestes a repousar!

    - Você trata seu filho todos os dias como
    lixo! Ignora-o ou grita com ele sem motivo aparente – vociferava ela enquanto
    se aproximava dele. – Sou sua esposa e o mínimo que exijo de você é que trate
    seu filho como tal e pelo menos mostre, uma vez na vida, que se importa com
    ele!

    - Feche o bico, sua gralha! – gritou
    Elhand, superando o tom de voz dela. – Sou seu marido, rei de Sva’lad e exijo
    respeito!

    Um súbito silêncio tomou conta do cômodo,
    até Zatana dizer em um tom de voz ameaçador:

    - Não por muito tempo.
    Os pêlos no braço de Elhand se eriçaram
    quando a esposa pronunciou aquelas palavras. Ele nem mesmo teve coragem para
    rebater o que ela havia dito e tudo o que fez, foi cair sentado na cama
    enquanto a observava sair pela porta por onde entrara. Indagava-se o que a
    mulher quisera dizer com aquilo. Será que pretendia se livrar dele?


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    anairam
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    Re: Livro ainda sem nome

    Mensagem por anairam em Sab Jan 23, 2010 1:22 pm

    Escreves bem !!Vai ser um livrro de Fantasia?
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    Re: Livro ainda sem nome

    Mensagem por jessicamaq em Sab Jan 23, 2010 2:26 pm

    Obrigada. Sim será um livro de fantasia, mas então, alguma crítica?
    Eu já tinha escrito 3 outros livros, mas eles não me agradaram. Jéssica Svit-Kona e Davi acompanharam o processo.Rs.Mas então, eu peguei os pontos das minhas outras histórias que eu tinha gostado e dei uma mesclada para criar essa nova história.Não cometerei o mesmo erro das outras obras, em que eu quis colocar todas as ideias no papel de uma vez e chegar logo numa parte que considerava interessante, o que deixou a essência do enredo clichê. Vou fazer tudo com calma, mesmo que o início da história fique um pouco monótono.
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    Re: Livro ainda sem nome

    Mensagem por anairam em Sab Jan 23, 2010 6:02 pm

    Não,não tenho nenhuma critica!
    Acho que estás a começar muito bem mesmo,como disse acho que escreves bem,continua.
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    Re: Livro ainda sem nome

    Mensagem por jessicamaq em Sab Jan 23, 2010 6:31 pm

    Muito obrigada Very Happy
    Só queria que mais gente comentasse. O fórum anda meio vazio ultimamente.
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    Re: Livro ainda sem nome

    Mensagem por anairam em Sex Abr 02, 2010 10:28 pm

    Começei a escrever dois livros mas parei. Primeiro nem sei escrever bem , e a ideia das histórias ficou confusa.
    começei com uma história de fantasia passada numa floresta sombria com uma população lá vivendo que esteve sempre lá sem nunca sair.Até porque quem saia da fronteira morria.era um mistério a partir daí.Uma história acerca de um desastre mundial que acabou(praticamente) com um mundo(bomba atómica!) tendo a radiação modifica-do o corpo de seres humanos que se tornaram canibais para sobreviverem e aquela floresta era a sua reserva de comida... enfim..escrever é mesmo dificil.... encravei completamente e não tive mais ideias para continuar a história,em que os protagonistas descobrem a terrivel verdade e tentam escapar. Também pensei em escrever uma baseada numa teoria (" Mundos Paralelos") ( teoria das probabilidades em que existem mundos paralelos em que por exemplo tens 50% de hipóteses de morrer e viver e há um mundo (paralelo ) onde tu morres e onde tu vives,depende da "sorte") esta historia que pensei em escrever teria haver com isto e consequentemente com dejá vu. e tu continua a escrever essa tua história e pô-la aqui , quem sabe um dia não a encontro numa livraria!
    Very Happy
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    jessicamaq
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    Re: Livro ainda sem nome

    Mensagem por jessicamaq em Sab Abr 03, 2010 4:22 pm

    Não desista anairam.Ter dificuldade em escrever é comum quando se está começando.Meus escritos, inicialmente, eram horríveis.Hoje, acho que escrevo um pouco melhor e de uma maneira mais madura.Para se escrever bem você tem que se colocar na pele do personagem, deve pensar no início, meio e fim para sua história e, acima de tudo, procurar ser o mais realista possível mesmo que a história seja fictícia.Eu posso até ajudá-la a dar início a sua história se eu tiver um resumo ou até mesmo alguns capítulos mais detalhados a respeito.É só enviar para o meu email: jessicamaq_12@hotmail.com
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    Re: Livro ainda sem nome

    Mensagem por anairam em Sab Abr 03, 2010 6:19 pm

    O meu problema foi não ter imaginado uma história com principio meio e fim... escrevia o que me vinha á cabeça na hora... e correu mal,deixei de escrever e não a continuei.(nem sabia sequer o que iria acontecer (nessa história da floresta) quando saissem , ficou uma autêntica confusão.Mas quando conseguir dar um jeito ou mesmo inventar uma história peço-te opinião e mando para o teu mail,dizes acerca dos diálogos ou outras coisas que estejam mal
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    Re: Livro ainda sem nome

    Mensagem por jessicamaq em Ter Abr 06, 2010 7:35 pm

    Tudo bem, ajudarei no que puder. É meio complicado quando o próprio autor se perde, já aconteceu comigo no primeiro livro que escrevi, tinha 15 anos. Eu quis fazer tudo rápido por causa da minha empolgação e acabei fazendo a história ficar clichê e, por fim, confusa.
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    Re: Livro ainda sem nome

    Mensagem por Cloud XXIII em Sex Abr 09, 2010 5:23 pm

    Gostei muito. Continua e vai mandando os capítulos para a gente ver.

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    Re: Livro ainda sem nome

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